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Sítios Históricos de Emigração e Retorno
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Nos teatros que mandaram fazer mesmo nos centro das vilas, exibiram o seu gosto pelas artes e o desejo de promover-se e promover a cultura, completando, na época, os elementos de cultura necessária a este grupo social formado de emigrantes do Brasil, que se destacou do conjunto da população rural local. A imprensa local e regional da época dá, por todo o lado, notícia das obras filantrópicas que o “Brasileiro” ia promovendo, das ideias que defendiam e do partido que tomavam no tempo em que a queda de um governo era vivido como uma revolução. Na construção das primeiras indústrias a Vapor, desenha o que veio a ser o tecido industrial português da região do Norte de Portugal, particularmente nas fábricas têxteis do Ave, Vizela e Porto, as quais se afirmaram como grandes centralidades sociais de gente que se arrumou em bairros operários em pobrezas prolongadas até à década de sessenta do século XX. Na segunda metade do século XIX, as vilas ganham uma acrescida importância, iniciando uma configuração urbana marcada pela abertura de novas ruas e praças, bem como pela disposição e modelos das novas edificações. As vilas receberam as novas elites que davam sentido aos novos ideários políticos e os “Brasileiros” aí estavam a ocupar os lugares públicos que foram dos seus ascendentes, agora reforçados por constituições, códigos, decretos e deliberações municipais. A estruturação e o desenvolvimento urbano estão intimamente ligados, quer à implantação do liberalismo, quer à República, dado que o capitalismo liberal facilitou a acumulação e circulação de recursos financeiros disponíveis. Os recursos financeiros dos capitalistas tomam, nas vilas, importância peculiar por se constituírem, quase exclusivamente, de capitais dos “Brasileiros de torna-viagem” como o actor instruído de um Portugal moderno, das viagens e do contacto com o mundo, sendo o Brasil cosmopolita o centro da aprendizagem para jovens saídos de um país pequeno e rural. Os sinais de retorno de sucesso e as marcas expressas nas novas formas de capital social, cultural e simbólico, fazem dele o centro da paisagem social, promovendo a chegada do Comboio à Vila, a ampliação da praça principal, a instalação da energia eléctrica e, finalmente o telegrafo que o ligava ao mundo. Podemos ver os "Torna-Viagem" na liderança das primeiras agremiações de interesse social, nomeadamente nas confrarias e nas Irmandades da terra. No Clube, discutiam as últimas novidades chegadas da Europa e o calor da política incendiava paixões com raiz nos ideários liberais maçónicos e se fazia política, tecendo estratégias de poder. Aí se forjavam sentidos de descendência, na colocação em lugares na administração pública, para gente que vivia de rendimentos e que fazia das cidade de Lisboa e do Porto o lugar de eleição para demoradas estadias, instalados em hotéis ou procurava a sua residência definitiva. Uma personagem que circulou num tempo que ainda se expressa amarelecido em postais com remetente de várias regiões do Brasil, que testemunham a vida de homens viajados e cultos. A cidade era assim o lugar privilegiado para o retorno dos que possuíam projectos de investimento comercial e continuação de urbanidade, sendo a sua figura o referente de uma nova existência social e simbólica, a qual lhe oferece o estatuto correspondente a uma nova vivência económica. Lugares privilegiados para a construção da casa do “Brasileiro” foram as Vilas Novas, sedes da nova administração liberal, localizadas em sítio de passagem e circulação, que tinham a sua matriz fundadora em lugares de feira ou cruzamento de vias. Aqui os novos modelos arquitectónicos e o empenhamento na vida política, reflectido nos acesos combates entre progressistas e regeneradores, testemunhados na imprensa local, são sinais de retorno de sucesso e marcas de novas formas de capital social, cultural e simbólico, que faz dos “Brasileiros” o centro da paisagem, reflectida na vivência de frequentadores de casinos, praias, termas, cafés e teatros, como homens que fazem do ócio a expressão de um novo estatuto social. A república municipalista estimulou a acção e a iniciativa dos cidadãos para a participação autárquica e a promoção de iniciativas cívicas, continuando o processo de desenvolvimento liberal “o elixir da fortuna a remoça deveras; as construções particulares aí estão em abundância para o comprovar, tanto mais que se lê o sorriso da abastança alegre, que deve animar a fisionomia dos seus proprietários» (Vieira:1886, 567).
[1] Figueirinhas, António; in "Prefácio", Costa, D. António da, No Minho, António Figueirinhas, 1900 [2] Figueirinhas, António; in "Prefácio", Costa, D. António da, No Minho, António Figueirinhas, 1900
As Vilas dos Brasileiros - O Caso de Fafe Os “Brasileiros” nas Vilas do Minho Imagens de Fafe nos séculos XIX-XX
Miguel Monteiro (Coordenador) |
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