|
|
 |
O Norte de
Portugal é, assim, o lugar das principais evidências da saída e do
retorno do “Brasileiro”, observando-se as representações desse tempo,
particularmente, nessa personagem e nas casas, dado que, com os primeiros
lucros do Brasil, o emigrante com sucesso, regressava à terra para ampliar a
casa mãe ou construir uma nova e “cobrir de arrecadas as irmãs
queridas e a continuar, aqui, a vida laboriosa que nas terras do Brasil foi
a sua glória”. Figueirinhas (1900)
O “Brasileiro”, originário de uma classe média e média alta rural, incorpora
nos contactos cosmopolitas das cidades do Brasil e das permanentes viagens
pelas capitais estrangeiras, os novos sentidos da urbanidade e os símbolos
legitimadores de poder que faz transportar para as cidades e vilas do Minho.
Este retorno
reflectiu-se na arquitectura, urbanismo e na industrialização do país,
provocando a aceleração da actividade comercial, afirmando-se o “Brasileiro”
e seus descendentes como constituintes de uma classe burguesa que se envolve
activamente na vida pública em tempo de transformação de regime.
|
|
Os Brasileiros, ao regressarem, lideram das primeiras agremiações de interesse
social, nomeadamente nas confrarias e nas Irmandades da terra, discutindo no
Clube as últimas novidades chegadas da Europa, fazendo política e tecendo
estratégias de poder.
Assim se forjaram sentidos de descendência,
na colocação em lugares da administração pública, para gente que vivia de
rendimentos e que fazia das cidade de Lisboa e do Porto o lugar de eleição
para demoradas estadias, instalados em hotéis, ou aí procuravam a sua
residência definitiva.
Frequentador de casinos, praias, termas, cafés e teatros reflecte, também no
ócio a expressão de um novo estatuto social, como marcas de um retorno
de sucesso que se expressa nas novas formas de capital social, cultural e
simbólico.
|
 |
|
Desta forma, os
Trópicos se fazem presentes na arquitectura de Portugal,
assim como a louça da Índia, nos século anteriores, impregnou de asiastismos a louça coimbrã ou portuense.
Toda uma lição viva de contactos culturais, emerge, portanto, dessas
vivendas (....), em que se aninham os portugueses de torna-viagem»
(Guilhermino Cesar)
É
neste contexto que os emigrantes de retorno edificam as suas habitações,
definindo um recorte arquitectónico original e uma estrutura urbana de novas
ruas e praças, à imagem das que conheceram do outro lado do Atlântico e que
lhes deu a fortuna.
As casas construídas no
centro cívico das vilas,
entre 1860 e 1930, vieram a ser designadas por "Casa do «Brasileiro»”,
apresentando
características
arquitectónicas e
aspectos decorativos
As vilas do Minho, no século XIX, passaram a ser o lugar
privilegiado para o retorno dos que possuíam projectos de investimento
comercial e de continuação de urbanidade, sendo a sua figura o referente de
uma nova existência social simbólica e de novas vivências económicas.
A casa do "Brasileiro" de "Torna - Viagem"
constituiu uma das representações mais evidentes desse retorno, quer na
estrutura e fachada das edificações, quer nas novas demarcações internas,
dividindo espaços e pessoas, evidenciando novas hierarquias e novas fronteiras
sociais.
As inovações arquitectónicas e decorativas
da casa do Brasileiros representam, na maior parte dos casos, uma reprodução
‘desfocada’ de soluções formais de uma arquitectura ‘elegante’ adoptada na
construção residencial brasileira a partir de meados do século XIX mercê da
actividade de arquitectos e companhias de construção europeias: um modelo onde
pontuam influências da casa colonial vitoriana, soluções formais afrancesadas,
misturadas com algum revivalismo de cariz italiano".
Nesta perspectiva, as
edificações remetem para um quadro de leitura urbana da
“Casa”
que poderá ser categorizadas em três tipos:
o palácio, a casa apalaçada e o
palacete.
|
|