|
Miguel Monteiro |
|
||
|
Solar Solar séc. XVII, XVIII, XIX |
|
|
|
|
Palácios
Palácio: 1860
Palácio: 1868
Palácio:1858
Palácio
Casa apalaçada urbana Casa Apalaçada urbana:18885 Casa apalaçadaurbana Casa apalaçada urbana Casa Apalaçada vertical urbana: 1885 Casa apalaçada vertical urbana: 1885
Casa apalaçada vertical urbana: Casa Apalaçada Horizontal urbana Casa Apalaçada Horizontal urbana 1908 Casa Apalaçada Horizontal urbana Casa apalaçada urbana: 1882 Casa Apalaçada urbana Casa Apalaçada urbana Casa Apalaçada urbana Casa Apalaçada urbana Casa Apalaçada Rural Casa Apalaçada Rural
Casa Apalaçada rural Casa Apalaçada Rural Casa Apalaçada rural Casa Apalaçada rural Casa Apalaçada rural Casa Apalaçada rural Palacete Palacete: 1912 Palacete: Palacete: 1912 Palacete
Chalé
Chalé Chalé Chalé Chalé Chalé Chalé Chalé
Miguel Monteiro
|
«A arquitectura do «Brasileiro» gravita em torno de formas sincréticas. O palácio O palácio, repetindo alguns elementos Joaninos, corresponde às casas largas e baixas, com fachadas amplas e numerosas portas e janelas, linhas horizontais, compostas por rés-do-chão, andar nobre, e mezanino, ou piso suplementar de serviço onde são visíveis artifícios arquitectónicos que os mascaram. O palácio é a casa nobre, originária duma classe poderosa e terratenente, que transfere o conceito da casa senhorial do campo, nas suas características de largueza de espaço, afirmação de prestígio e domínio, para a cidade, fazendo da sua residência uma espécie de solar urbano à beira da rua. Esta solução arquitectónica, no século XIX, assemelha-se, em muitos dos seus elementos, aos palácios nobres: apresenta frontões, em tímpano perfeito, truncado ou imperfeito, ou falsos frontões, incluídos na estrutura do edifício e completando a linha das suas fachadas. Estas fachadas são lisas e rebocadas a branco, quase sem os motivos ornamentais, com varandas reduzidas a uma pedra linear, pilastras de pedra, verticais, a toda a altura do edifício. Estes edifícios, não sendo em grande número, tanto nas cidades como nas vilas, apresentam-se demarcados e murados com gradeamentos de ferro, dando directamente para a via pública e as partes posteriores e laterais para um jardim. Se alguns valorizam a horizontalidade, outros procuram a proporcionalidade entre o comprimento e altura, buscando alguma harmonia, marcada pelos eixos das portas, janelas, eixos das pilastras divisórias e divisão horizontal em andares. Nestas, o comprimento procura aproximar-se da altura, em corpos por pilastra, mais ou menos salientes. As divisões dos edifícios fazem-se, normalmente, em três corpos: um central e dois laterais (sendo o central mais comprido ou curto e saliente ou reentrante). Quando a divisão das fachadas não se faz por corpos, a separação é feita por pilastras de pequena sacada, que se correspondem nos diversos andares, dando a ideia de robustez aos cunhais e à parede da frente. A divisão vertical em partes iguais aumenta a importância do edifício.
Casa Apalaçada
A casa apalaçada pode tomar as características de vertical ou Horizontal, apresentando em cada um dos casos características particulares. Normalmente designadas pelos proprietários pelo nome de “Vila” a que acrescentava o nome da sua própria mulher, a casa apalaçada, não sendo um palácio na estrutura clássica é larga e ampla e com forte sentido individualizante, construída nos limites das cidades, dentro das vilas e no espaço rural. As fachadas, umas vezes aparecem lisas ou revestidas a azulejo, outras ajustadas aos limites das vias e ainda outras vezes recuadas. Nestas, a fachada principal dá directamente para a via pública e as laterais e posteriores para um jardim, pátio, parque ou quinta adjacente, onde se destacam as palmeiras como símbolo da vivência no Brasil. Em certos casos procuram uma certa proporcionalidade nem sempre conseguida, tornando-se por isso monótonas à vista, pelo que, algumas vezes, as varandas procuram aumentar a largura aparente e outras vezes as pilastras procuram acentuar a verticalidade. Noutros casos ainda, os terraços decorados interrompem a sua verticalidade. No espaço rural reduzem-se a uma estrutura e decoração simples, ganhando alguma amplitude e grandiosidade, face ao espaço e aos modelos tradicionais envolventes, destacando-se pelo número de janelas altas, com bandeiras de desenhos e fachadas lisas. A estrutura, os materiais utilizados, as dimensões e a decoração destes imóveis, descritos na época como “belo palacete com portões de ferro ao lado, mirante, platibanda de granito”, ou “uma casa grande, de cantaria e azulejo, com três andares e varandas” ou, ainda, configuradas com um “cubo de alvenaria com enfeites de ripa e latão” compõem a descrição de uma arquitectura ecléctica própria de um tempo feito de homens cosmopolitas.
Casa Apalaçada Vertical Urbana
As casas de tipo vertical, também designadas de estreitas e esguias aparecem situadas umas ao lado das outras, ao longo de todas as ruas, com três ou quatro andares, com apenas duas ou três janelas de frente, constituindo o grupo predominante e a solução de implantação de continuidade típica dos burgos de raiz medieval. Estas casas correspondem ao modelo que sempre resolveu, ao mesmo tempo, as questões da natureza funcional, servindo de estabelecimento comercial ao nível do rés-do-chão e de residência nos andares superiores. É a casa popular burguesa, com duas portas: uma para o acesso à residência e outra para acesso à loja, existindo uma interior de comunicação aos dois sectores e que chegou às primeiras décadas do século XX. Uma outra tendência desenvolve-se, no século XIX com o desaparecimento da função comercial, valorizando-se, exclusivamente, a de residência. Estas casas ficam mais distantes do centro cívico tradicional, principalmente aquando da abertura de novas ruas, pracetas ajardinadas e passeio público, criadoras de novas centralidades urbanas.
Os palacetes e Chalés
O palacete, referido na época como a casa de campo constituiu o objecto arquitectónico mais interessante, dado que, quer no Brasil, quer em Portugal, não podia ser construído dentro da cidade. Desobedecendo às normas que definiam a tipologia clássica para a marcação das simetrias das fachadas, o palacete apresenta-se com quatro fachadas, num exercício extremo de simetria, dando ao edifício uma forma quase cúbica. Outras vezes, marcado numa base de assentamento quadrado, a assimetria das fachadas é acentuada por torres e minaretes que lhe dão verticalidade estrutural gótica no que foi a imagem de uma “casa de campo”. Noutros casos, designamos por chalés as casas semelhantes ao Palacete, mas com uma fachada dominante vertical simétrica, com telhado de duas águas e mezanino. Uma vezes rebocada, outras vezes azulazada, a fachada ajusta-se à rua, com carácter vincadamente individualizada e com acessos laterais.
Jardins Privados Tanto a Casa Apalaçada como o Palacete aparecem ladeados por um parque ou jardim vedado com portões de ferro, arborizado, ricamente ornamentado e decorado com lagos, painéis de azulejo e estátuas. Nas ombreiras dos portões surgem “as armas fundidas, de saliências arrogantes, entre os dois molossos de dentaduras anavalhadas minazes como todos os bichos de heráldica”. O jardim torna-se exótico com “estátuas de louça, os alegretes de azulejo, os arcos feitos de cana, por onde se entrelaçaram magras trepadeiras”. Estes jardins tinham “mais fama, naquelas aldeias vizinhas, do que os jardins suspensos de Babilónia”: - “um pequeno modelo de fragata brasileira, com tripulação de altura dos cestos de gávea, flutuante num tanque circular; uma gruta estucada de azul e com assentos de palhinha, para onde vinha ler [...] eram as principais maravilhas do jardim”. Demore-se na busca dos pormenores dos portões e depois nos beirais de faiança, nos desenhos das varandas estreitas com guardas de ferro forjado ou fundido, nas platibandas de granito decoradas, nos lanternins e descobrirá um quadro de encantos coloridos de gente majestosa e elegante. Conheça na estatuária os sentidos de mitologia clássica, ou então as figuras das estações do ano de importação francesa. Procure, no que ainda resta dos jardins privados, as árvores exóticas, os caramanchões e as estátuas, como elementos de um cenário abandonado, delimitados por grades de ferro, apoiadas em pilares de pedra e encimados por pirâmides ou outros motivos decorativos, encontrará o lago, uma fonte e o romantismo a circular por entre canteiros de flores.
A Vivências do Privado
A entrada principal do rés-do-chão, pouco elevado do solo, é formado por uma galeria exterior, permite o acesso à escadaria de pedra em forma de pórtico, escada para o andar nobre, a sala, a casa de jantar, um quarto, escada de serviço para a cave e primeiro andar, gabinete, o corredor, vestíbulo, sala, quarto de cama, quarto de vestir, casa de banho.
Os espaços distribuem-se em salas para a frente e para as traseiras, a sala de jantar e cozinha no último andar.
Os sótãos servem de arrecadação e alojamento da criadagem e a meio, a escadaria, como sempre, iluminada por clarabóias.
No seu interior será recebido em átrios de pedra, que o Século XVIII conheceu no exterior de outros imóveis.
Dê-se conta da iluminação natural feita por largas clarabóias decoradas em finos estuques e olhe os tectos dos palácios em caixotões barrocos, de castanho, geralmente decorados com pinturas ornamentais ou estuques decorados e as paredes forradas a tecidos aveludados.
Sinta a vivência do tempo no interior dos átrios decorados com azulejo, as escadarias de madeiras preciosas, os tectos de estuque, portas e janelas altas encimadas por bandeiras com vitrais coloridos, lustres de cristal e delicados móveis e porcelanas e demore-se mais uma vez a olhar as suas clarabóias.
O seu interior leva-nos a lugares de encanto que preenchem as salas de mobília rica: um canapé de palhinha e seu jogo de cadeiras, uma secretária de cerejeira envernizada e, pelas paredes, bilhetes-postais com vistas do Rio de Janeiro, uma oleografia e litografias coloridas. O piano ou bilhar compõe o cenário.
As portas são de belas almofadas entalhadas, pintadas a branco e ouro, com "espelhos" de madrepérolas ou marfim; as vidraças, com bandeiras, possuem desenhos; fogões de mármore famosos; lustres de cristal; jóias e pratas de valor, delicados móveis e porcelanas inglesas ou orientais, bibliotecas ou colecções valiosas, uma mesa farta e cuidada, vinhos afamados – tudo isto testemunhando, nesses níveis mais altos, um viver "Brasileiro" em casa burguesa. podemos ainda ver mobília rica: um canapé de palhinha e seu jogo de cadeiras, uma secretária de cerejeira envernizada e no chão as madeiras preciosas de pau do Brasil.
Nelas, a simplicidade utilitária contrasta com as madeiras preciosas, de paus do Brasil, rosa ou cetim, ou em finos estuques testemunhando influências inglesas.
Estas casas, às vezes com aparência modesta, evidenciam no seu interior alguma opulência, pertencem a famílias de burgueses ricos, com projecção na vida pública.
No seu interior circulam criadas para várias funções e em itinerários internos e distintos definidos em gerações de famílias como numa obrigação de devoção quase servil.
Estas criadas entrada pela porta lateral de serviços, própria para a criadagem e residentes no sótão, nunca se cruzando com os senhores da casa. A governante era a grande gestora do quotidiano e a única que estabelecia o contacto com os senhores da casa.
Cf. Miguel Montei, 1991, Fafe dos Brasileiros (1860-1930- Perspectiva Histórica e Patrimonial, ed. Autor
|
||